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| Foto: Arquivo WQS |
Você sabe quantos postos de trabalho a cidade do Rio perdeu nos últimos anos no setor financeiro de bancos e demais instituições financeiras?
Recentemente a Câmara do Rio aprovou lei que incentiva criação da Bolsa de Valores no Rio de Janeiro, uma ótima notícia para todos, em especial para o centro da cidade que sofreu grande impacto de perda das instituições financeiras e consequentemente o esvaziamento daquela região.
Apesar do centro financeiro do país ser a cidade de São Paulo, o Rio pareava como grande centro financeiro, inclusive sediando algumas das maiores e mais importantes instituições do país.
Num primeiro momento o processo de fusões e aquisições tiraram diversos players da cena carioca, bancos como Unibanco, Nacional, Bamerindus, Econômico, Bandeirantes, Boavista, Real, Comind, Credireal, e outros possuiam sede ou importantes representações com grande contingente alocados no Rio, em geral seus incorporadores eram de São Paulo, acarretando a migração em massa dos setores em comum para aquela cidade.
Outro fato relevante com certeza, foi a escalada da tecnologia, o processo de digitalização bancária que eliminou parte da demanda manual em agências, e por fim a necessidade dos bancos de fazerem frente as fintechs, em geral com um custo operacional muitas vezes menor face a sua natureza, e com imobilizado quase zero.
Assim importantes agentes públicos que também exerciam essa atração para o Rio de Janeiro, como autarquias e entidades de controle estatal e autoregulação, Susep, CVM, Anbima, Gerof Banco do Brasil, enfim e a antiga bolsa de valores BVRJ incorporada a Bovespa em 2002, faziam o contraponto a São Paulo, como opção de atuação.
Essa última com mais reflexos do que se pode imaginar, pois existiam no Rio uma enorme quantidade de corretoras e distribuidoras de valores mobiliários que atuavam e existiam mais intensamente por conta da renda variável ou mercado de ações.
Assim o retorno do um mercado acionário com sede no Rio traz mais relevância e a expectativa de melhoras para todos. Pois ele tende a se tornar mais uma âncora de peso na cadeia de players do sistema financeiro.
Há uma grande crítica na concentração de capitais, e com certeza boa parte desse dinheiro relaciona-se com a “improdutividade” e isso é uma realidade, por outro lado, a falta que essa estrutura fez e faz a cidade é maior do que se imagina, além é claro de também ser fonte de receita para alavancar empresas e novos negócios por parte das empresas de capital aberto.
Abaixo alguns dados extraídos do CAGED no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2019. Os números representam o saldo negativo entre contratações e demissões por função no segmento financeiro, e com base no salário de admissão (portanto o resultado é ainda maior) efetuamos uma projeção de perda na economia carioca.
Em primeiro lugar muito distante de qualquer outra função, foram os gerentes os mais demitidos, nas suas diversas nomenclaturas e apenas considerando a atuação na força de vendas, foram 8.127 gerentes a menos. Enquanto que a função de Caixa reduziu em 893 postos. Também a alta gerência sofreu grande perda, os cargos com diversas nomenclaturas de Diretor totalizaram uma redução de 214 postos de trabalho. O número total de redução foi de 13.651 postos de trabalho a menos!
Abaixo a relação com todas as funções que o Rio perdeu e uma projeção financeira tímida, considerando que o cálculo foi feito com o salário de admissão, totalizando uma perda direta para a economia da ordem de quase 1 bilhão de reais ao ano. Ao considerarmos que essas remunerações sofrem tributação e o Fundo Municipal recebe da União parte do imposto de renda retido, além é claro do consumo das famílias que esses salários comportavam, chegamos então ao "mais reflexos do que se pode imaginar" citado antes, estudo muito mais elaborado sob a visão da Lei de Propensão ao Consumo de Keynes, poderíamos ter uma medida do rombo que sofremos, testemunhada hoje apenas pela falência em série do comércio do centro do Rio.
Fonte: https://bi.mte.gov.br/bgcaged/caged_perfil_municipio/index.php
Munícipio: 330455:Rio de Janeiro
Janeiro de 2007 a Dezembro 2019
